sábado, 26 de novembro de 2011

Sugestão de leitura: Programa “Loucos por futebol” da ESPN indica livro “Mulheres na Quadra”

Apresentado por jornalistas esportivos renomados, Celso Unzelte, Paulo Vinicius Coelho (PVC), Marcelo Duarte e colunista Roberto Porto, o programa “Loucos por futebol” é dedicado às histórias e curiosidades da modalidade mais praticada no Brasil: o futebol!


O programa é quinzenal, veiculado aos sábados. Além de bate-papo com convidados e matérias especiais, no final das edições, o jornalista Celso Unzelte dá dicas de livros relacionados à modalidade para os telespectadores loucos por futebol. A dica de livro do programa deste sábado, 26 de novembro, é o livro “Mulheres na Quadra: um resgate histórico do futsal feminino em Campo Grande-MS”, da jornalista sul-mato-grossense Isabela Ferreira.



Você que é louco por futebol, não pode perder o programa de hoje, que começa às 22 horas, pelo horário de Brasília! Mais informações por meio do blog http://espn.estadao.com.br/loucosporfutebol!

Imagens retiradas do blog do programa.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Notícias" - Bola no pé, diploma na mão

Bolsas de estudos, oferecidas por colégios e universidades de Campo Grande, tem mudado o futuro de jogadoras da capital

Em Campo Grande, quem se dedica nas quadras e nas salas de aula já pode sonhar com um futuro melhor, pois na capital para muitas jovens o futsal feminino é sinônimo de oportunidade. Conquista recente das campo-grandenses (cerca de 30 anos de prática), essa modalidade vem há pouco mais de 10 anos, tornando-se um importante meio pelo qual dezenas de  jovens tem tido a oportunidade de estudar em um colégio particular e de cursar uma faculdade.
Na década de 80, quando as pioneiras da modalidade começavam a adentrar nas quadras da capital, o futsal era praticado exclusivamente por guerreiras apaixonadas, jogadoras que apesar do exacerbado preconceito, da falta de recursos e de local para treinar, lutavam pelo reconhecimento da modalidade e pelo seu desenvolvimento.  Passados 30 anos, as “amantes” do futsal feminino continuam apaixonadas pela modalidade, porém, hoje elas jogam com vários incentivos e principalmente oportunidades.
Com o objetivo de incentivar a prática do futsal pelas mulheres e,  ao mesmo tempo, contribuir com a formação educacional e intelectual das atletas, cada vez mais colégios e universidades da Capital têm concedido bolsas de estudos para jovens talentosas e dedicadas.
“Por meio da bolsa de estudos, tem várias profissionais que se formaram, sem pagar nada, por meio do esporte. Me formei e sempre estudei nas escolas com bolsa de atleta, então eu sei que devo muito ao esporte, o que eu sou hoje, né? Então eu devolvo isso. Em todos os lugares onde trabalhei sempre proporcionei bolsas para os alunos poderem, por meio do esporte, tornarem-se cidadãos com uma formação profissional”, conta o renomado técnico de futsal Júlio César, mais conhecido como Pelezinho.
Por cerca de 10 anos, o Colégio ABC investiu fortemente na equipe feminina do colégio, dezenas de campo-grandenses de bairros humildes da capital tiveram a oportunidade de estudar no colégio particular com bolsa de estudo, como revela a jogadora Rosemary de Souza: “Praticamente quase tudo na minha vida foi graças ao futsal, minha mãe num ia ter condições de me dar uma bolsa numa escola, numa faculdade. Graças a Deus fui privilegiada, eu ganhava tudo: apostila, uniforme e agasalho, pois eu não tinha condições de comprar”.
Jogadoras do ABC: vencedoras nas quadras e nas salas de aula

Após concluírem o Ensino Médio no Colégio ABC, várias jogadoras migraram para as quadras da Universidade Anhanguera Uniderp, onde elas puderam continuar os estudos, é o caso, por exemplo, da jogadora Juliana Cardozo: “O futsal sempre me deu isso: a oportunidade de estudar, não me deu dinheiro, eu não fiquei rica, mas me deu um estudo bom, graças a Deus. Você fazer um curso de Fisioterapia, sem ter que pagar nada, não é pra qualquer um, principalmente aqui em Campo Grande”.
Para o Colégio Salesiano Dom Bosco e para a UCDB, o esporte sempre foi visto como uma ferramenta a mais na formação educacional dos alunos, por isso o colégio e a universidade estão sempre investindo nessa área. “O principal é a formação dos alunos (...). O esporte é um dos pilares da Filosofia Salesiana, que tem como lema: ‘Formar bons cristãos e ótimos cidadãos’ ”, revela o técnico da equipe, Luiz Fernando Borges Daniel, mais conhecido como Nando.
As jogadoras Amanda Medrado, Vanessa Borges, Jakeline Silva e Paula Fernanda,  foram algumas das atletas da UCDB/Dom Bosco que por meio do futsal alcançaram o tão sonhado diploma acadêmico. Paula Fernanda, por exemplo, cursou Ed. Física com bolsa acadêmica e hoje atua no Centro de Atenção Piscossocial Infantil (Capsi), dando aulas para crianças com transtornos mentais: "Vejo que o futsal deu oportunidade pra bastante gente estudar, eu tinha 100% de bolsa, a jogadora que tinha menos, tinha 50%".

Professora de Educação Física, Paula Fernanda, e sua turma de alunos
Com o passar dos anos, o número de meninas dispostas a jogar tem aumentado e isso tem feito escolas e universidades valorizarem mais o talento das jogadoras. Além disso, a própria sociedade tem tido um outro olhar diante da “mulher com a bola no pé”, um olhar de admiração. Afinal, se existe talento e se as pessoas ficam admiradas quando vêem uma garota habilidosa, por que não abrir definitivamente as quadras para as mulheres e deixar elas marcarem belíssimos gols?

“Por quatro anos o futsal pagou a minha mensalidade”, finaliza a ex-jogadora, hoje profissional de Educação Física, Jakeline.


Foto: Arquivo Pessoal Juliana Cardozo e Paula Fernanda

"Memória futebolística"- Cidinha: uma campo-grandense na Seleção Brasileira

Maria Aparecida de Souza Edil, mais conhecida como Cidinha, foi uma das melhores jogadoras de futsal feminino do início dos anos 90. Descoberta pela técnico Lucenio Vieira e pela incentivadora Marcia Moraes (campo-grandenses que se dedicaram a formação das primeiras equipes da capital na década de 80), Cidinha foi destaque da equipe Galeria dos Esportes e ficou conhecida em todo o país pelas brilhantes participações em campeonatos brasileiros de futsal, que a fizeram realizar o sonho de muitas jogadoras de futebol: jogar na Seleção Brasileira.

Talentosa desde criança, começou jogando nas quadras em 1992, mas não demorou muito para migrar para os campos. Em 1996, jogando futebol de campo pela equipe Três Lagoas Clube-Vila Piloto na Copa Kaiser feminina em Campo Grande, Cidinha chamou a atenção do técnico de Seleção Brasileira feminina da época, Zé Duarte, que estava na capital para assistir a final do campeonato, em busca de novos valores. Em 26 de novembro de 1996, o jornal Correio do Estado divulgava a pré-convocação da atacante campo-grandense para a tão sonhada Seleção Brasileira de futebol de campo feminina.


Quando chegou à Seleção, a atacante começou como reserva, mas logo no primeiro jogo que disputou com a camisa verde e amarela, Cidinha entrou em campo no segundo tempo e mostrou porque merecia estar ali. A partir de então, o talento da jogadora campo-grandense começou a ser valorizado.



Defendendo a Seleção, a jogadora permaneceu por quatro anos, de 1996 a 2000. Neste período conquistou o Sul Americano de 1998, o 2º lugar na Copa Nike, o 3º lugar na Copa do Mundo de futebol feminino de 1999 e, também, o 4º lugar nas Olimpíadas de Sidney em 2000.



Durante o tempo em que integrou a Seleção, Cidinha também jogou no clube São Paulo e depois no Vasco da Gama. Pela equipe paulista conquistou três títulos: Campeonato Paulista, Torneio Rio-São Paulo e o Campeonato Brasileiro. Já pelo Vasco, alcançou o Campeonato Carioca de 2000.


Apesar de conquistar títulos importantes, jogar em equipes renomadas e defender a Seleção Brasileira por quatro anos, Cidinha não conquistou a fama e não teve um retorno financeiro satisfatório, ao contrário dos atletas homens, que quando atuam na Seleção Brasileira passam a ser muito valorizados e a ganhar milhões. Ela retornou para Campo Grande em 2003, hoje, aos 34 anos, a ex-jogadora é inspetora de pátio de uma escola particular. Com a humildade de poucos que alcançam o que ela alcançou, Cidinha reconhece suas origens.

“O Lucenio e a Marcia me ajudaram muito a ter essas chances, dando bronca numa boa, sempre incentivando, ajudaram muito. Apesar de eu gostar mais do futebol de campo, a experiência no futsal foi tudo de bom”, afirma Cidinha.

Fotos: Arquivo Pessoal Cidinha

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Notícias"- Lançamento do livro "Mulheres na Quadra"



O Lançamento do meu livro "Mulheres na Quadra: um resgate histórico do futsal feminino em Campo Grande-MS, aconteceu no dia 31 de outubro, no Mezanino da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.


Cerca de 130 campo-grandenses, entre jogadoras, técnicos, organizadores de competições, meus familiares e amigos, foram prestigiar a noite de autógrafos.


Antes de começar a autografar os livros, fiz um breve discurso falando do meu sonho em escrever um livro e da importância do resgate da história da modalidade para o desenvolvimento e afirmação do futsal feminino. Confiram um trecho do meu discurso: "Nesta noite tão especial pra mim, eu gostaria de falar de sonhos. Meu primeiro sonho de infância era realmente escrever um livro, naquela época eu não conseguia entender o "porquê" dessa vontade.  Hoje eu realizo esse sonho e posso dizer à vocês que com a produção deste livro, eu percebi que realizando este sonho, eu estava, ao memso tempo, contando a realização dos sonhos de várias pessoas" 


Os personagens sentiram-se felizes e satisfeitos em verem suas fotos e histórias dentro do livro. A obra tem sido muito comentada entre profissionais da área e pessoas que apreciam a modalidade.


Autografei mais de 100 livros, foi muito prazeroso, uma sensação maravilhosa receber o carinho de tantos amigos, familiares e profissionais do futsal feminino, que eu tanto admiro.


O livro "Mulheres na Quadra" só se fez realidade graças ao apoio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), da Fundação de Cultura de MS, que apoio a publicação da obra! Agradeço essas entidades por terem acreditado no meu trabalho e, desejo que mais cidadãos sul-mato-grossenses tenham a oportunidade de fazerem seus projetos se tornarem realidade!


Com projeto gráfico idealizado pela publicitária Wilmara Rios, o livro tem formato inovador; ele é quadrado e o conteúdo (textos e fotografias) foi inserido em duas colunas.


Foi uma noite inesquecível, que ficará para sempre guardada na memória das apaixonadas por futsal!

Fotos: Site Blitz MS, Site Seu Evento e fotógrafo Wagner Jean

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"Notícias"- Livro “Mulheres na Quadra” revela histórias de equipes de futsal feminino de Campo Grande



A obra “Mulheres na Quadra” tem apoio do Governo de Mato Grosso do Sul por meio do Fundo de Investimentos Culturais (FIC/MS), da Fundação de Cultura do Estado

Histórias, personagens, campeonatos, jogos, preconceitos, valores... Que antes se restringiam a memória de quem faz parte da história do futsal feminino da capital, agora está guardado e registrado no livro-reportagem “Mulheres na Quadra: um resgate histórico do futsal feminino em Campo Grande-MS”, que será lançado no dia 31 de outubro no Mezanino da Fundação de Cultura.

O livro nasceu como um trabalho de conclusão de curso da Jornalista Isabela Ferreira de Oliveira, que em busca do diploma acadêmico, aliou o gosto pela escrita e pelo futsal feminino (a autora jogou por 6 anos defendendo o Colégio Dom Bosco e a UCDB) e, produziu um livro-reportagem contando histórias de equipes da modalidade feminina.

“Produzi o livro durante todo o ano de 2010, entrevistei mais de 30 pessoas, entre jogadoras, técnicos, árbitros e organizadores de competições. Realizei pesquisas nos jornais mais consolidados da década de 90: Correio do Estado e Diário da Serra. Além disso, também pude contar com um grande arquivo fotográfico, fornecido pelos próprios personagens que guardavam notícias e fotografias”, revela a autora.

Entre pesquisas e entrevistas, a autora descobriu que a história da modalidade (que permanecia no esquecimento) iniciou-se em Campo Grande em 1982. A partir disso, o livro foi escrito em ordem cronológica, por meio de capítulos que resgatam histórias de sete times que contribuíram com o nascimento e fortalecimento do futsal feminino: Comave, Ase/Depósito Bueno, Adipa, Pelezinho, Funlec, ABC e Dom Bosco/UCDB. Peculiaridades desse esporte, como preconceito, metodologia de treinamento e formação educacional, também são debatidos ao longo do livro.

A autora lança um novo olhar sobre essa modalidade, que desde o início vem sendo conduzida por apaixonadas (os) por futsal, campo-grandenses que driblaram dificuldades e marcaram gols que reverberam até hoje. “Para o futsal feminino é de suma importância um livro como esse, pois valoriza a modalidade e os personagens dessa história, esta obra só tem a contribuir para que as meninas que estão começando dêem continuidade a este esporte. Pra mim, participar deste livro é mais uma realização dentre as várias que o futsal me proporcionou”, afirma a ex-jogadora Rosirene Lopes, importante personagem da obra.

Ao deixar registrada essa história, ao mesmo tempo, Isabela reconhece e valoriza os tantos campo-grandenses que dedicaram suas vidas à modalidade, pessoas que se sentiam esquecidas, deixadas “de fora das quadras”, como a microempresária Marcia Moraes, pioneira que formou a primeira equipe feminina na década de 80: “Pra mim está sendo maravilhoso a publicação deste livro, fundamental, agora todo meu esforço pela modalidade, os preconceitos que passei, serão reconhecidos. O futsal faz parte da história da minha vida”, revela a ex-jogadora.

A publicação desta obra inédita, surgiu a partir da aprovação do livro no Fundo de Investimentos Culturais (FIC/MS) da Fundação de Cultura do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, que anualmente destina recursos financeiros para serem aplicados em projetos culturais desenvolvidos por cidadãos sul-mato-grossenses.

“Esse livro resgata a história e a memória do Futsal do nosso Estado, e isso também é cultura, já que é uma das modalidades esportivas mais praticadas em Mato Grosso do Sul. Com a publicação, enriquecerá bibliotecas e escolas de todo o Estado e será importante fonte de pesquisa para outros pesquisadores”, diz o presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Américo Calheiros.
Com o objetivo de reconhecer os grandes personagens da modalidade e principalmente divulgar a história do futsal feminino, a autora distribuirá uma parcela dos livros para escolas públicas e privadas da capital, além de cursos de Jornalismo e Educação Física das universidades locais. Entidades esportivas e pessoas que atuam na área, como técnicos e jogadoras, também serão contemplados.

Serviço: O lançamento do livro “Mulheres na Quadra” será no dia 31 de outubro, às 19h30, no Mezanino da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, que fica na avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 559, centro.

Foto: Stéphanie Brittes

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"Trocando Passes" - Entrevista com a ex-jogadora Kátia Silene


Natural de Itaquiraí (MS), Kátia Silene começou a “marcar os primeiros gols” na década de 80 em sua cidade. Depois, em 1986, mudou-se para Campo Grande, onde começou a jogar pela equipe Comave. Hoje, a ex-jogadora é formada em Educação Física, tem Especialização em Esporte Escolar e trabalha como diretora-adjunta da Escola Municipal Irene Szukala. Em entrevista, Kátia conta um pouco da sua história com o futsal feminino.

Quando você começou a jogar futsal?
Comecei no interior em torneios internos, tinha campeonatos dentro da escola, interclasse. Depois surgiu o primeiro campeonato regional, com a participação das equipes de Eldorado, Itaquiraí, Mundo Novo e Naviraí e aí eu fui participar destes jogos representando Itaquiraí. Neste campeonato o time de Naviraí me convidou para jogar por Naviraí na Copa Morena, foi aí que tudo começou, pois foi nessa 1ª Copa Morena, jogando por Naviraí, que conheci algumas jogadoras de Campo Grande, da equipe Comave. Na época (1986) eu também praticava basquete e fui convidada para jogar por um time da capital com bolsa de estudos, aí resolvi vir estudar, fazer o Ensino Médio em Campo Grande, mas quando cheguei reencontrei as meninas da Comave e já comecei a treinar com elas. Conversei com meus pais e, meu pai disse: “- Faz o que você gosta, eu pago os seus estudos”. E assim começou a minha trajetória com o futsal feminino.

Onde vocês treinavam?
Treinávamos no Horto Florestal, Quadra Bar (atual quadra do Pelezinho), Manduzão, Base aérea. Quem nos treinava era o técnico Lucênio Vieira.

Quanto aos aspectos técnicos da equipe, você planejavam jogadas? Como eram os treinamentos?
Não tanto quanto hoje, mas tinha jogadas sim, por exemplo, naquela época o lateral era cobrada com a mão e nós fazíamos jogada em cima disso, eu jogava como fixo e ala direita. As meninas tinham habilidade, mas não tinham a tática, quem nos ensinou a trabalhar a tática foi o técnico Lucênio, que começou a incorporar, dar cara ao time daquilo que todo mundo esperava do futsal, ele nos ajudou muito, ele levou a equipe ao máximo do que o Estado poderia ter na época. Hoje o futsal feminino tem um tratamento totalmente diferente, tem um treinamento específico para as meninas, dentro da idade, existe preparação emocional.

Pela época em que vocês jogaram (anos 80), pode-se dizer que vocês foram as precursoras da modalidade em Campo Grande?
Não é que fomos a primeira equipe, fomos o time que se destacou na década de 80, participamos de todas as Copas Morena, Copa Brasil feminina, aliás, fomos o primeiro time do Estado a sair para uma Copa Brasil feminina, em 1990 viajamos para a cidade de Mairinque, interior de São Paulo, e disputamos o 1º Trófeu Brasil de Futebol de Salão feminino.

E como foi essa participação no primeiro campeonato brasileiro de futsal feminino?
Nós disputamos essa taça com vários times do Brasil e alcançamos o 4º lugar. Na disputa do 3º e 4º lugar perdemos para o Vasco da Gama, que tinha jogadoras como a Formiga, Pretinha, era “O” time. Foi o nosso primeiro campeonato nacional, e esse resultado nos surpreendeu porque na nossa realidade nós tínhamos muitas dificuldades, mesmo tendo patrocínio, era um respaldo que nós não esperávamos porque nós estávamos diante de equipes fortes, sabíamos que tínhamos uma situação complicada, com a 4ª colocação saímos de lá “felizes da vida”. Nessa competição fui considerada uma das melhores jogadoras. Pelos comentários da época, dos jornais, inclusive o texto que tem na placa de congratulação que eu ganhei é referente a questão da técnica, fui considerada uma das melhores jogadoras em questão disciplinar e técnica, fui uma das atletas que não recebeu cartão amarelo, cartão vermelho, nada que abolasse a minha conduta disciplinar, agora isso é na opinião deles eu não sei se fui tão assim (risos).

Como era jogar em um período no qual o futsal era visto como uma modalidade masculina? Existia algum tipo de preconceito?
Se hoje ainda se sente o preconceito, imagine a 20, 25 anos atrás, era complicado. Sempre tive o apoio da minha família, pra mim isso foi primordial, tanto meu pai quanto a minha mãe iam assistir aos jogos, me acompanhavam, mesmo naquela época.
O feminino ainda enfrenta um pouco de preconceito, mas hoje é menos visível, você ainda encontra uma certa resistência, mas nós nunca ligamos muito para esta situação de preconceito. Hoje o olhar sobre o futsal feminino é outro, elas são valorizadas, são respeitadas, as meninas são mais femininas, o futsal resistiu ao tempo e ao preconceito e chegou a um estágio que merece ser pontuado.

Pra fechar, o que o futsal feminino representa pra você? Faz parte da sua vida?
O futsal fez e ainda faz parte da minha vida, antigamente como jogadora, hoje como técnica. Cheguei a fazer curso de arbitragem, mas não exerço porque não dá tempo. Tudo que envolve o futsal eu estou no meio, sempre quero estar no meio. É um esporte que marcou muito a minha infância, minha adolescência, a minha vida!


Foto: Arquivo Pessoal Marcia Moraes