Em Campo Grande, quem se dedica nas quadras e nas salas de aula já pode sonhar com um futuro melhor, pois na capital para muitas jovens o futsal feminino é sinônimo de oportunidade. Conquista recente das campo-grandenses (cerca de 30 anos de prática), essa modalidade vem há pouco mais de 10 anos, tornando-se um importante meio pelo qual dezenas de jovens tem tido a oportunidade de estudar em um colégio particular e de cursar uma faculdade.
Na década de 80, quando as pioneiras da modalidade começavam a adentrar nas quadras da capital, o futsal era praticado exclusivamente por guerreiras apaixonadas, jogadoras que apesar do exacerbado preconceito, da falta de recursos e de local para treinar, lutavam pelo reconhecimento da modalidade e pelo seu desenvolvimento. Passados 30 anos, as “amantes” do futsal feminino continuam apaixonadas pela modalidade, porém, hoje elas jogam com vários incentivos e principalmente oportunidades.
Com o objetivo de incentivar a prática do futsal pelas mulheres e, ao mesmo tempo, contribuir com a formação educacional e intelectual das atletas, cada vez mais colégios e universidades da Capital têm concedido bolsas de estudos para jovens talentosas e dedicadas.
“Por meio da bolsa de estudos, tem várias profissionais que se formaram, sem pagar nada, por meio do esporte. Me formei e sempre estudei nas escolas com bolsa de atleta, então eu sei que devo muito ao esporte, o que eu sou hoje, né? Então eu devolvo isso. Em todos os lugares onde trabalhei sempre proporcionei bolsas para os alunos poderem, por meio do esporte, tornarem-se cidadãos com uma formação profissional”, conta o renomado técnico de futsal Júlio César, mais conhecido como Pelezinho.
Por cerca de 10 anos, o Colégio ABC investiu fortemente na equipe feminina do colégio, dezenas de campo-grandenses de bairros humildes da capital tiveram a oportunidade de estudar no colégio particular com bolsa de estudo, como revela a jogadora Rosemary de Souza: “Praticamente quase tudo na minha vida foi graças ao futsal, minha mãe num ia ter condições de me dar uma bolsa numa escola, numa faculdade. Graças a Deus fui privilegiada, eu ganhava tudo: apostila, uniforme e agasalho, pois eu não tinha condições de comprar”.
Jogadoras do ABC: vencedoras nas quadras e nas salas de aula
Após concluírem o Ensino Médio no Colégio ABC, várias jogadoras migraram para as quadras da Universidade Anhanguera Uniderp, onde elas puderam continuar os estudos, é o caso, por exemplo, da jogadora Juliana Cardozo: “O futsal sempre me deu isso: a oportunidade de estudar, não me deu dinheiro, eu não fiquei rica, mas me deu um estudo bom, graças a Deus. Você fazer um curso de Fisioterapia, sem ter que pagar nada, não é pra qualquer um, principalmente aqui em Campo Grande”.
Para o Colégio Salesiano Dom Bosco e para a UCDB, o esporte sempre foi visto como uma ferramenta a mais na formação educacional dos alunos, por isso o colégio e a universidade estão sempre investindo nessa área. “O principal é a formação dos alunos (...). O esporte é um dos pilares da Filosofia Salesiana, que tem como lema: ‘Formar bons cristãos e ótimos cidadãos’ ”, revela o técnico da equipe, Luiz Fernando Borges Daniel, mais conhecido como Nando.
As jogadoras Amanda Medrado, Vanessa Borges, Jakeline Silva e Paula Fernanda, foram algumas das atletas da UCDB/Dom Bosco que por meio do futsal alcançaram o tão sonhado diploma acadêmico. Paula Fernanda, por exemplo, cursou Ed. Física com bolsa acadêmica e hoje atua no Centro de Atenção Piscossocial Infantil (Capsi), dando aulas para crianças com transtornos mentais: "Vejo que o futsal deu oportunidade pra bastante gente estudar, eu tinha 100% de bolsa, a jogadora que tinha menos, tinha 50%".
Professora de Educação Física, Paula Fernanda, e sua turma de alunos
Com o passar dos anos, o número de meninas dispostas a jogar tem aumentado e isso tem feito escolas e universidades valorizarem mais o talento das jogadoras. Além disso, a própria sociedade tem tido um outro olhar diante da “mulher com a bola no pé”, um olhar de admiração. Afinal, se existe talento e se as pessoas ficam admiradas quando vêem uma garota habilidosa, por que não abrir definitivamente as quadras para as mulheres e deixar elas marcarem belíssimos gols?
“Por quatro anos o futsal pagou a minha mensalidade”, finaliza a ex-jogadora, hoje profissional de Educação Física, Jakeline.
“Por quatro anos o futsal pagou a minha mensalidade”, finaliza a ex-jogadora, hoje profissional de Educação Física, Jakeline.
Foto: Arquivo Pessoal Juliana Cardozo e Paula Fernanda



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