quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Memória futebolística"- Cidinha: uma campo-grandense na Seleção Brasileira

Maria Aparecida de Souza Edil, mais conhecida como Cidinha, foi uma das melhores jogadoras de futsal feminino do início dos anos 90. Descoberta pela técnico Lucenio Vieira e pela incentivadora Marcia Moraes (campo-grandenses que se dedicaram a formação das primeiras equipes da capital na década de 80), Cidinha foi destaque da equipe Galeria dos Esportes e ficou conhecida em todo o país pelas brilhantes participações em campeonatos brasileiros de futsal, que a fizeram realizar o sonho de muitas jogadoras de futebol: jogar na Seleção Brasileira.

Talentosa desde criança, começou jogando nas quadras em 1992, mas não demorou muito para migrar para os campos. Em 1996, jogando futebol de campo pela equipe Três Lagoas Clube-Vila Piloto na Copa Kaiser feminina em Campo Grande, Cidinha chamou a atenção do técnico de Seleção Brasileira feminina da época, Zé Duarte, que estava na capital para assistir a final do campeonato, em busca de novos valores. Em 26 de novembro de 1996, o jornal Correio do Estado divulgava a pré-convocação da atacante campo-grandense para a tão sonhada Seleção Brasileira de futebol de campo feminina.


Quando chegou à Seleção, a atacante começou como reserva, mas logo no primeiro jogo que disputou com a camisa verde e amarela, Cidinha entrou em campo no segundo tempo e mostrou porque merecia estar ali. A partir de então, o talento da jogadora campo-grandense começou a ser valorizado.



Defendendo a Seleção, a jogadora permaneceu por quatro anos, de 1996 a 2000. Neste período conquistou o Sul Americano de 1998, o 2º lugar na Copa Nike, o 3º lugar na Copa do Mundo de futebol feminino de 1999 e, também, o 4º lugar nas Olimpíadas de Sidney em 2000.



Durante o tempo em que integrou a Seleção, Cidinha também jogou no clube São Paulo e depois no Vasco da Gama. Pela equipe paulista conquistou três títulos: Campeonato Paulista, Torneio Rio-São Paulo e o Campeonato Brasileiro. Já pelo Vasco, alcançou o Campeonato Carioca de 2000.


Apesar de conquistar títulos importantes, jogar em equipes renomadas e defender a Seleção Brasileira por quatro anos, Cidinha não conquistou a fama e não teve um retorno financeiro satisfatório, ao contrário dos atletas homens, que quando atuam na Seleção Brasileira passam a ser muito valorizados e a ganhar milhões. Ela retornou para Campo Grande em 2003, hoje, aos 34 anos, a ex-jogadora é inspetora de pátio de uma escola particular. Com a humildade de poucos que alcançam o que ela alcançou, Cidinha reconhece suas origens.

“O Lucenio e a Marcia me ajudaram muito a ter essas chances, dando bronca numa boa, sempre incentivando, ajudaram muito. Apesar de eu gostar mais do futebol de campo, a experiência no futsal foi tudo de bom”, afirma Cidinha.

Fotos: Arquivo Pessoal Cidinha

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